SÍSSI NA SUA AO VIVO (2000)

Produzido por Edu Martins e Luis Paulo Serafin

 

CD 1                                                                                    CD 2

ABERTURA

Texto de Fernanda Young

Vozes: Marina Lima e Enrique Diaz

 

[Marina]

Todo mundo tem um mapa

[Enrique]

Mapa, que mapa? Estou à deriva!

[Marina]

Alguns são feitos à caneta,

Outros cravados a ferro e fogo,

E outros são quase transparentes

[Enrique]

Não enxergo um palmo à frente do nariz...

Tudo é muito escuro, uma escuridão, um breu!

[Marina]

Há também aqueles que são como as linhas das mãos...

Acho que o mapa de Síssi é assim.

[Enrique]

Síssi, Síssi! Que Síssi? Lá vem você com essa estória de Síssi, Síssi!

[Marina]

Ela nasceu com a mão esquerda para ser imutável

E a direita em eterna inconstância...

[Enrique]

Ah, quer apostar, quer apostar?

 

PIERROT

(Marina Lima)

 

Sim, eu resolvi me ausentar

Para ocultar a minha dor

Fugi, menti

Talvez por pudor

Desde então tanta coisa aconteceu

Que eu parei pra melhor pensar:

Voltei pra te dizer o quanto eu senti

Não te beijar

E a vida segue, sempre neste vai e vem

Que não passa das ondas do amor

Gira, roda

Como um pierrot

Eis que um dia aquela bela casa cai

E não há mais como negar:

Voltei pra te dizer que aqui no meu Brasil

Outra flor não há

Aqui: cada cidade é uma ilha, sem laços,

traços, sem trilha

E o medo a nos rodear

Então: bem vindos à minha terra, feita de

homens em guerra

E outros loucos pra amar...

E tem sido assim, desde que o mundo é mundo

Os homens temem a paixão

Ela fere, ela mata

Tal qual um dragão

Enfrentar ainda causa tanto medo

Mas fugir é bem pior:

Voltei pra te dizer que nessa guerra

Não há vencedor

Aqui: cada cidade é um porto, disse o poeta pr'um broto

Que não queria arriscar

Vem, bem vindo à minha terra, feita de homens em guerra

E um outro louco pra amar...

 

ARQUIVO II

(Bid/Marina Lima/Alvin L.)

 

O brilho dos faróis

Me leva àquele hotel

Como num Dali, o quarto derreteu

4:25, sobraram os copos e eu

"Eu entendi muito bem o que você disse

Não houve engano algum

Nossa, você foi tão clara

Suas palavras ainda fervem na minha mente

E seu fogo ainda queima o coração"

Acreditar, não posso acreditar

Como alguém tão livre se deixa escravizar

Desistir, como se fosse só deletar

"Não houve engano algum

Eu entendi muito bem o que você disse

Não houve engano algum

Absolutamente, você foi tão clara

Suas palavras ainda ardem na memória

E aquele fogo ainda queima o coração"

Outro dia quente, o mar envolve sem

Apagar dos olhos o brilho de quem tem

Um arquivo do passado e a fome do que ainda vem

"Olha, o que tá dito, tá dito

E o que foi feito também

Mas certas coisas

Nem as palavras podem apagar

Nem o tempo, nem o fogo, nem a fome,

Nem o corpo, nem a alma, nem as ondas,

Nem as praias, nem o mar

Nem o mar."

 

DEIXE ESTAR

(Marina Lima/Antonio Cícero)

 

Deixe estar, vai passar

Com sorte, tudo, tudo vai ser breve

Essa angústia no seu peito

E no meio

Essa falta ardendo em minha pele

Porque nós dois nos cruzamos com pressa demais

E foi tudo intenso e veloz

Nos amamos, meu bem, só que em pistas opostas

E tão sós

Mas deixe estar,

Deixe estar, vai sarar

Com sorte, quase sem deixar saudade

O repente do mergulho

Bem no meio

Da represa da felicidade

Mas se você resistir, e teimar e fugir

Não se assuste se tudo enguiçar

A engrenagem do amor pode ser traiçoeira

E vingar

Deixe estar...

Vai sarar.

 

À MEIA-VOZ

(Marina Lima/Antonio Cícero)

 

Me diz o que é que foi,

Pra você se magoar assim

Confessa aqui pra mim

Me diz onde é que dói

Será que ainda vou ser

Seu ninho de prazer?

Melhor pagar pra ver...

Me diz o que é que eu fiz

Pra te fazer infeliz assim

Soletra aqui pra mim

Me diz à meia-voz

Prometo não contar

Promessas não dão mais...

Confessa e sela a paz

Meu bem não lhe darei

Um céu sem dor nem lei

Mas aceite esta canção

Que fiz pra te alegrar

Debaixo desse véu

Assim à meia-luz

Só há você e eu...

Confessa aqui pra mim

Me diz onde é que

Dói.

 

O SOLO DA PAIXÃO

(Marina Lima/Antonio Cícero)

 

O solo da paixão não dura mais que um dia

Antes de tudo se afundar

Não mais que essa noite

Ou essa noite e um dia

E o clarão da noite na hora antes de amargar

Mas num dia solar eu

Eu vou lhe entregar tudo:

Minha paz na terra, o meu céu e o meu mar

Vá! Seqüestre tudo num dia

Será que um dia vicia?

Mas depois devolva tudo aonde eu ainda possa achar

Pois o solo da paixão dura exatamente esse dia

Um dia só sem par

O suco, a polpa,

O frêmito, a gota,

Colherei esse dia na hora antes de acordar

O solo da paixão...

 

PESSOA

(Dalto/Cláudio Rabello)

 

Olhar você

E não saber

Que você é a pessoa

Mais linda do mundo

E eu queria alguém

Lá no fundo do coração

Ganhar você

E não querer

É porque eu não quero

Que nada aconteça

Deve ser porque

Eu não ando bem da cabeça

Ou eu já cansei de acreditar

O meu medo é uma coisa assim

Que corre por fora

Entra, vai e volta sem sair

Não,

Não tente me fazer feliz

Eu sei que o amor é bom demais

Mas dói demais sentir...

Você

E não querer

É porque eu não quero

Que nada aconteça

Deve ser porque

Eu não ando bem da cabeça

Ou eu já cansei de acreditar

Ou eu já dancei...

O meu medo é uma coisa assim

Que corre por fora

Entra, vai e volta sem sair

Não tente me fazer feliz

Eu sei que o amor é bom demais

Mas dói demais sentir...

 

NA MINHA MÃO

(Marina Lima/Alvin L.)

 

Se você pensa que eu não sou

Aquilo tudo que sonhou

Pois saiba que dói mais em mim

Saber você tão tola assim

O fato é que eu já comecei

A olhar em outra direção

Se todo mundo é mesmo gay

O mundo está na minha mão

Coração, coragem, pra qualquer viagem, pra qualquer sermão

Não deixe as roupas que eu rasguei te

encobrirem de razão

Se você pensa que eu não sei

O tanto o quanto eu te ensinei

Pois saiba que só mesmo o amor

Pra te cegar como cegou

O fato é que eu já constatei

Nem tudo é mão ou contramão

Nosso desejo não tem lei

E o resto é pura ilusão

Coração, coragem, pra qualquer viagem, pra qualquer sermão

Não deixe as roupas que eu rasguei te

encobrirem de razão

E o mundo gira devagar

E eu à frente dele a mil

Um dia eu vou te reencontrar

E te explicar o que feriu

 

SUA (INSTRUMENTAL)

(Marina Lima)

 

Baixo, teclados e programação: Edu Martins

Teclados: William Magalhães

Violão: Giovanni Bizzotto

Guitarra: Gustavo Corsi

Bateria: Cuca Teixeira

 

NEM LUXO, NEM LIXO

(Rita Lee/Roberto de Carvalho)

 

Mas como vai você

Assim como eu

Uma pessoa comum

Um filho de Deus

Nessa canoa furada

Remando contra a maré

Eu não duvido de nada

Mas tenho fé...

Não quero luxo, nem lixo

Meu sonho é ser imortal

Não quero luxo, nem lixo

Quem sabe gozar no final...

Não quero luxo, não quero lixo

Meu sonho é ser imortal, meu amor

Não quero luxo, não quero lixo

Quero gozar no final...

 

ACONTECIMENTOS

(Marina Lima/Antonio Cícero)

 

Mas eu espero

Acontecimentos

Só que quando anoitece

É festa num outro apartamento

Todo amor

Vale o quanto brilha

Aí, o meu brilhava

E brilha de jóia e de fantasia

O quê que há com nós?

O quê que há com nós dois, amor?

Me responda depois

Me diz por onde você me prende,

Por onde foge

E o que pretende de mim

Mas era fácil,

Nem dá pra esquecer

Aí, eu nem sabia

Como era feliz de ter você

Mas como pôde

Queimar nosso filme

Deixar nosso filme queimar

Um longe do outro

Morrendo de tédio e de ciúmes

O quê que há com nós?

O quê que há com nós dois, amor?

Me responda depois

Me diz por onde você me prende,

Por onde foge

E o que pretende de mim

Eu espero...

Como pôde...

Queimar nosso filme...

 

UMA ANTIGA MANHÃ

(Marina Lima)

 

Palmas pra você e o seu jogo

Conseguiu vencer

E se eu confessar, me diz se vai adiantar

Imprimir as pegadas do sonho

Que era amar você e poder viver esse amor

Mas eu não sei dizer se eu te amo ainda...

Por quê não diz você?

E se eu revelar, depois de tanto guardar

As lembranças de uma antiga manhã?

Em que eu perdi você,

Mas eu pude te ver

Despertar...

Que era amar você e poder viver esse amor

Mas eu perdi você,

Mas eu pude te ver

Despertar

VIRGEM

(Marina Lima/Antonio Cícero)

 

As coisas não precisam de você,

Quem disse que eu

Tinha que precisar?

As luzes brilham no Vidigal

E não precisam de você,

Os Dois Irmãos também não precisam

O Hotel Marina quando acende

Não é por nós dois

Nem lembra o nosso amor.

Os inocentes do Leblon,

Não sabem de você

E o farol da Ilha só gira agora

Por outros olhos e armadilhas

Outros olhos e armadilhas

Eu disse:

Outros olhos e armadilhas

Outros olhos e armadilhas

O Hotel Marina quando acende

Não é por nós dois

Nem lembra o nosso amor.

Os inocentes do Leblon,

Esses não sabem de você

Não vão querer saber,

E o farol da Ilha procura agora

Por outros olhos e armadilhas

Outros olhos e armadilhas

Outros olhos e armadilhas

Outros olhos e armadilhas

 

MEL DA LENDA

(Marina Lima/William Magalhães)

 

Obras, vícios podem acabar com alguém

Raios, tiros, tiras e você também

Tantos desencantos valem

Menos que os alentos que você me dá, às vezes

Fones podem não tocar

Mas neves fazem viajar

Por montes, fontes de água doce

E tudo mais que você trouxe

Pra criar a lenda

Eu não sei se você age sempre assim

Cruel assim...

Se você não quiser brincar

Depois não se arrependa

De não provar

E se esbaldar

Como mel que o amor relembra

Lembra

A lenda

De mel...

Fragmentos de "Os Ombros Suportam o Mundo", em "Sentimento do Mundo"

Texto de Carlos Drummond de  Andrade

Voz: Enrique Diaz

 

"Chega o tempo em que não se diz mais: Meu Deus!

Tempo de absoluta depuração

Tempo em que não se diz mais: Meu amor!

Porque o amor resultou inútil.

Os olhos não choram

E as mãos tecem apenas um rude trabalho.

Alguns achando bárbaro o espetáculo...

Prefeririam os delicados morrer.

Chegou o tempo em que não adiante morrer

Chegou o tempo em que a vida é uma ordem...

A vida apenas...

Sem mistificação."

 

IRREMEDIÁVEIS MORTAIS

(Marina Lima/Giovanni Bizzotto)

 

Por velhos, vãos motivos

Mistério sempre há de pintar

Como quem lê um livro

Com melodias por traçar

Eu só dependo de reais

Toques, anúncios, sinais

Favoráveis, fatais

Aonde você mora?

Aonde você foi morar?

Nem sempre dá as caras

Às vezes custa pra pintar

Nós só queremos te saudar

Dogmas, prenúncios, cristãos

Irremediáveis mortais

 

RETORNO (ODE MUSICAL A PAULINHO MOSKA) (INSTRUMENTAL)

(William Magalhães/Marina Lima)

 

Violão: Giovanni Bizzotto
Teclados e vocal: William Magalhães
Guitarra: Gustavo Corsi
Bateria: Cuca Teixeira 
Baixo e programação: Edu Martins

 

ESTOU ASSIM

(Marina Lima)

 

Estou assim

Como o mar que não chega na areia

Estou assim

Com esse sangue estancado na veia

Até você me ligar

Estou assim

Como um mês que não passa do meio

Tão assim

Esperando esse amor que já veio

Até você se tocar

Fivelas, cremes, incensos

São tantos produtos

Tantas preocupações

E esses labirintos do meu coração

Mas eu sei que quero, amor

E o que você disser será aceito

Estou assim

Um talento por pouco perdido

Quase assim

Como um som que não quer ser ouvido

Até você me amar

Estou assim

Com esse cisco caído no olho

Tão assim

Uma lata vazia de molho

Até você me cansar

Cigarros, aspirinas, restos de perfume no frasco

Tantas saudades

Tantas indagações

Nesses labirintos do meu coração

Mas eu sei que quero amor

E o que você disser será aceito

Uma lata vazia de molho...

Esse cisco caído no olho...

 

PARA UM AMOR NO RECIFE

(Paulinho da Viola)

 

"A razão porque mando um sorriso

E não corro

É que andei levando a vida

Levando a vida

Quase morto"

Quero fechar a ferida

Quero estancar o sangue

E sepultar bem longe

O que restou da camisa

Colorida

Que cobria...

Que cobria a minha dor

Meu amor eu não esqueço

Não se esqueça, por favor

Que eu voltarei depressa

Tão logo a noite acabe

Tão logo esse tempo passe

Para beijar você...

 

FULLGÁS

(Marina Lima/Antonio Cícero)

 

Então, venha me dizer

O que será

Da minha vida

Sem você?

Mundo você é quem faz

Música, letra e dança

Tudo em você é fullgás

Tudo você é quem lança

Lança mais, lança mais

Só vou te contar um segredo

Não, nada

Nada de mal nos alcança

É tendo você, meu brinquedo

Nada machuca, nem cansa

Então, venha me dizer

O que será

Da minha vida

Sem você?

Noites de frio

Dia nem há

E um mundo estranho, muito esquisito

Pra me segurar

Então, onde quer que você vá

É lá, que eu vou estar

Amor esperto

Tão bom te amar

E tudo de lindo que eu faço

Vem com você, vem feliz

Você me abre seus braços

E a gente faz um país

Você me abre seus braços

E a gente faz um país

Então, venha me dizer

O que será

Da minha vida

Sem você?

Noites de frio

Dia nem há

E um mundo estranho

Pra me segurar

Então, onde quer que você vá

É lá, que eu vou estar

Amor esperto

Tão bom te amar.

 

SÍSSI

(Marina Lima/Fernanda Young)

 

Sair pra ter

O que ver

Sem nem pensar

Dançar, mexer

Olhar, comer

Sem ter que ficar

E a noite

Faz-se dia

No meu coração

Sorrir e crer

Que alguém,

Alguém vá saber

Como voa o chão

Nada a temer

Chorar, perder

Chances nascerão

E a noite

Faz-se dia

No meu coração...

E a noite

Faz-se dia (como um clarão)

No meu coração...

E a noite

Faz-se dia (como um refrão)

No meu coração...

 

PRA COMEÇAR

(Marina Lima/Antonio Cícero)

 

Pra começar

Quem vai colar

Os tais caquinhos

Do velho mundo

Pátrias, famílias, religiões

E preconceitos

Quebrou não tem mais jeito

Agora descubra de verdade

O que você ama

Que tudo pode ser seu

Se tudo caiu

Que tudo caia

Pois tudo raia

E o mundo pode ser seu

Todinho seu...

E pra terminar

Quem vai

Ninguém aqui vai

Os tais caquinhos

Do velho mundo

Pátrias, famílias, religiões

E preconceitos

Quebrou não tem mais jeito

Agora descubra de verdade

O que você ama

Que tudo pode ser seu

Se tudo caiu

Que tudo caia

Pois tudo raia

E o mundo pode ser seu

Todinho seu

Todinho meu...

 

À FRANCESA

(Cláudio Zoli/Antonio Cícero)

 

Meu amor se você for embora

Sabe lá o que será de mim

Passeando pelo mundo afora

Na cidade que não tem mais fim

Ora dando fora, ora bola

Uma irresponsável, pobre de mim

Se eu te peço pra ficar, ou não?

Meu amor eu lhe juro

Que não quero deixá-lo na mão

E nem sozinho no escuro

Mas os momentos felizes não estão escondidos

Nem no passado

E nem no futuro

Meu amor não vai haver tristeza

Nada além de um fim de tarde a mais

Mas depois as luzes todas acesas:

Paraísos artificiais

E se você saísse à francesa

Eu viajaria muito, muito mais

Se eu te peço pra ficar, ou não?

Meu amor, eu lhe juro

Que não quero deixá-lo na mão

E nem sozinho no escuto

Mas os momentos felizes não estão escondidos

Nem no passado

E nem no futuro

Passeando pelo mundo afora

Na cidade que não tem mais

Fim.