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OLHOS FELIZES (1980) Produzido por Sergio Mello
OLHOS FELIZES (Marina Lima e Antonio Cícero) |
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Vem cá, amor, me dá um beijo
Pra mim o seu olhar
Tem ondas feito o mar
Vem se quebrar em mim que eu deixo
Pois é só seu o meu harpejo
De paixão
Gente bonita
É um tição
Que atiça a vida
Do coração
Ver não se evita
Não
Eu gosto de olhar o mundo
Não ligo pro que dizem
Meus olhos são felizes
Eles não querem ser profundos
Deixe o olhar ser vagabundo
Ser em vão
Gente bonita
É um tição
Que atiça a vida
Do coração
Ver não se evita
Não
Vem cá, amor, me dá um beijo
O mundo dá mil voltas
E mil reviravoltas
Não para nem corta o desejo
Veja o meu corpo assim acesso
De verão
Gente bonita
É um tição
Que atiça a vida
Do coração
Ver não se evita
Não
NOSSO ESTRANHO AMOR
(Caetano Veloso)
Participação especial: Caetano Veloso
Não quero sugar todo o seu leite
Nem quero você enfeite do meu ser
Apenas lhe peço que respeite
O meu louco querer
Não importa com quem você se deite
Que você se deleite seja com quem for
Apenas lhe peço que aceite
O meu estranho amor
Oh! mainha
Deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar
E sigamos juntos
Oh! neguinha
Deixa eu gostar de você
Pra lá do meu coração
Não me diga nunca, não
Seu corpo combina com o meu jeito
Nós dois fomos feitos muito pra nós dois
Não valem dramáticos efeitos
Mas o que está depois
Não vamos fuçar nossos defeitos
Cravar sobre o peito as unhas do rancor
Lutemos, mas só pelo direito
Ao nosso estranho amor
SÓ VOCÊ
(Marina Lima e Antonio Cícero)
Só você amor
Esse sopro sobre a pele, amor
Vem de leve e anuncia
Uma nova melodia
Você veio feito música
Minha própria luz e canção
Numa exata sintonia
Em que capto esta paixão
Só pra você
Só você
Só pra você, amor
Esse sopro, amor
Vai de leve e se insinua
Sob sua pele nua
Eu vivo de música
Só transo luz e canções
Ou no palco ou na rua
Irradio paixões
Só pra você
Só você
RASTROS DE LUZ
(Marina Lima e Antonio Cícero)
Que vê que eu caio no mundo
De cama em cama, bar em bar,
Que vou sem rumo e me confundo
Diz: "ela não sabe mais amar"
Pois o que eu quero é que outro me leve
E me esqueça o que for pesado
Pois eu vou longe, eu vou leve
E não quero mais nem passado
Mas por mais faltas que eu cometa
É tudo por seu amor
Sou um astro, um rastro de luz,
Um cometa ao seu redor
Que às vezes ninguém vê
Mas sempre que eu não vejo
Você no meio das coisas
Eu vivo puro desejo
De encontrar você no espaço
Uma estação diferente
Nas horizontes que eu traço,
Precária, mas permanente
O AMOR QUE EU NÃO ESQUEÇO
(Marina Lima e Antonio Cícero)
Passo o dia inteiro
Alegre, agitando,
Trabalho ligeiro,
Fico conversando
E acho que esqueço,
Ao menos às vezes,
O amor que eu não esqueço
Já faz tantos meses
Mas às vezes paro
E fico infeliz
Pois nunca é bem claro
O que foi que eu fiz.
De noite choro antes de sonhar
E a mim mesmo imploro
Para ela voltar
Pois toda alegria
Fica tão sem sal
Perto da magia
Do amor ideal
Volto o dia e volto
A curtir a vida,
Esqueço a revolta,
Me sara a ferida
Mas às vezes bebo
E ouço canções
E de novo cedo
A essas ilusões
Que me parecem doces
De me embriagar,
Como se não fossem
Me fazer chorar
Ah, quando eu perder
Toda a esperança
Talvez volte a ser um dia
Feliz de criança
DOCE VIDA
(Rita Lee e Roberto de Carvalho)
Doce vida essa minha
Livre como uma andorinha
Que fugiu de uma gaiola
Pra poder cantar melhor
Minha casa fica perto
Da esquina do pecado
Eu namoro com um anjo
E paquero o diabo
Minhas asas disseram:
"Pernas pra que te quero"
Muita gente me pergunta, me pergunta
Se passo fome na cidade
Se sou magra de ruindade
Oh! Oh!
Alimente meu senso de humor
Alimente meus olhos de cor
Alimente minha vida de calor
Alimente minha boca de sabor
SEU SABÃO
(Djalminha)
Ele é meu homem
Me deu seu nome
Quando dele me tornei mulher
Ele me beija, me aperta,
Com carinho me desperta,
Faz de mim o que bem quer
Sou seu sabão, sou seu denguinho,
Sou seu cheiro, seu carinho
E tudo mais o que ele quer
E até meu nome é flor, é rosa,
É onça, é cobra venenosa
Para o que der e vier
Me arrepio feito gata
Quando sinto as suas patas
No meu corpo desnudado
Se é depois de forte briga
O nosso amor parece intriga
De gemidos no calado
Ele me afaga,
Eu gemo e grito,
Torno o dito por não dito
E me sinto mais mulher
Quando em seus braços ele me pisa
E com seus beijos me agoniza:
Quem ama atura o que vier.
CORAÇÕES A MIL
(Gilberto Gil)
Minhas ambições são dez
Dez corações de uma vez
Pra eu poder me apaixonar
Dez vezes a cada dia
Setenta a cada semana
Trezentas a cada mês
Isso sem considerar
A provável rebeldia
De um desses corações gamar
Muitas vezes num só dia
Ou todos eles de uma vez
Todos dez desatarem a registrar
Toda gente fina
Toda perna grossa
Todo gato
Toda gata
Toda coisa linda
Que passar
Meus dez mil corações a mil
Nem todo Brasil vai dar
MEU MENINO, DORME
(Marina Lima e Antonio Cícero)
Dorme
Meu menino, dorme
Você adormecido
Vestido de calor
É feito do tecido
Com que se faz amor
Você me traz bobagens
Imagens de Ultramar
Meu anjo com mensagens
De mim mesmo pra mim
Só
Dorme
Meu menino, dorme
Não vou prender você
Não sou sua residência
Você ainda vai ser
Fogo e depois ausência
A vida é extravagância
E às vezes tudo é um pouco
Frio
Dorme
Meu menino, dorme
Eu fico divagando
Singrando a eternidade...
Você meu contrabando...
Mas basta a realidade
Que eu quis por um segundo
E em vez do paraíso
Um segundo segundo
Do seu gozo e seu riso
Mais
Dorme
Meu menino, dorme
Respira em meu pescoço
Que eu devo ser feliz
Embora sem esboço
Em prosa, do que quis
Você me faz sonhar
E a vida entre nós dois
Bem pouco prá contar
É muito mais que sonho:
Dói.
ÀS VEZES COM QUEM EU AMO
(Marina Lima e Antonio Cícero)
Às vezes com quem eu amo
Fico com raiva e reclamo
Pensando não ter retorno
O amor sem fim que entorno
No entanto sempre retorna
Desta ou daquela forma
O amor que agente derrama
Quando é verdade que ama
Amei com paixão alguém
E perdi as ilusões
Mas hoje esse amor revém
E dele é que faço canções